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Corrida da IA pode consumir trilhões antes de entregar retorno esperado
Olhar Digital 05/10/2026 às 17:03

Corrida da IA pode consumir trilhões antes de entregar retorno esperado

Nunca houve tanto dinheiro direcionado a uma nova tecnologia quanto está sendo investido atualmente em IA

Nunca houve tanto dinheiro direcionado a uma nova tecnologia quanto está sendo investido atualmente em inteligência artificial (IA). A escala dos aportes já supera os valores aplicados em revoluções tecnológicas anteriores, como as ferrovias e a internet — e começa a levantar dúvidas sobre quanto tempo será necessário para que os investimentos gerem retorno.

Segundo uma projeção da PwC citada pela Reuters, os gastos globais acumulados com data centers podem ultrapassar US$ 30 trilhões (cerca de R$ 159 trilhões) até 2050. O valor se aproxima do estoque de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e, segundo a consultoria, supera os investimentos realizados durante os ciclos de expansão das ferrovias e das empresas pontocom, mesmo após o ajuste pela inflação.

A Anthropic, uma das empresas no centro dessa corrida, planeja gastar US$ 518 bilhões (cerca de R$ 2,75 trilhões) nos próximos anos, de acordo com seu prospecto de oferta pública de ações analisado pela Reuters. O valor equivale a mais de 100 vezes a receita registrada pela empresa em 2025.

Os defensores desses investimentos apostam que a IA terá um impacto econômico maior do que transformações provocadas pela máquina a vapor e pela industrialização.

O problema é que, por enquanto, grande parte dessa aposta depende de ganhos de produtividade e lucros futuros, para os quais ainda há poucas evidências concretas — e pouco precedente histórico capaz de garantir que os resultados aparecerão no ritmo necessário.

Produtividade ainda não acompanha expectativas

O JPMorgan afirmou em agosto que os ganhos de produtividade de alcance amplo nos Estados Unidos, país que lidera a corrida pela IA, “continuam difíceis de encontrar”, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade das avaliações das empresas do setor.

Um estudo da Bain & Company chegou a uma conclusão semelhante. Segundo a consultoria, os ganhos de produtividade obtidos nos mercados existentes não seriam suficientes para justificar os atuais níveis de investimento. Para fechar essa diferença, seria necessário o surgimento de mercados completamente novos.

Entre as possibilidades estão o uso de robôs guiados por IA e o desenvolvimento de novos materiais para baterias e semicondutores.

As empresas responsáveis pela infraestrutura da IA nos Estados Unidos — incluindo Google, Amazon e Microsoft — e outras companhias envolvidas na corrida precisariam encontrar mais de US$ 4,2 trilhões (cerca de R$ 22,3 trilhões) em novas receitas nos próximos cinco anos para financiar a expansão, segundo a Bain.

A questão, segundo o estudo, é se as aplicações capazes de gerar esse dinheiro chegarão a tempo de pagar pela infraestrutura construída.

O JPMorgan também alertou que, historicamente, ciclos de expansão tecnológica podem terminar quando os investimentos em infraestrutura deixam de proporcionar retornos suficientes.

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